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Valor Econômico: Vergilio fala sobre o futuro do Corretor

há 4 minutos
3 min de leitura

O mercado de corretagem de seguros passa por uma das maiores transformações nos últimos anos, com mudanças no perfil dos corretores, aumento do número de profissionais no Brasil e novas regras de atuação que devem entrar em vigor em janeiro de 2027. A avaliação é de Armando Vergílio, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).


O corretor está se tornando, cada vez mais, uma combinação de consultor de riscos, gestor de relacionamentos e agente de educação securitária, afirma o executivo, acrescentando que o mercado supervisionado de seguros ultrapassou R$ 420 bilhões em prêmios em 2025, com a corretagem respondendo por mais de 80% da distribuição das apólices. “Para 2027, projetamos uma expansão de 7% a 9% do mercado, ante 2026.”


Vergílio considera que o número de corretores continua em alta porque o Brasil tem um déficit de proteção securitária. Na primeira quinzena de setembro, eles eram 168,1 mil, entre pessoas físicas (53,2%) e jurídicas (46,7%), segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o que representa aumento de 12,7% em relação aos 149 mil corretores e empresas habilitados em janeiro de 2026.


Sobre a Resolução 493/26, editada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), o presidente da Fenacor defende que a norma é um “marco político-regulatório”. Ela estabelece diretrizes para a atuação e obrigações operacionais de profissionais e companhias habilitados a intermediar os contratos, entre outros pontos. “O registro único nacional e a disciplina da restituição proporcional de comissões exigem uma reorganização administrativa, revisão contratual e maior rigor de compliance”, argumenta. “Em 2027, teremos um mercado mais transparente, fiscalizável e protegido contra práticas irregulares.”


Na Marsh Risk, já foi estruturada uma frente multidisciplinar, com participação de áreas como jurídico, compliance e TI para mapear os impactos do regramento, segundo Paula Lopes, presidente da companhia no Brasil. “O trabalho inclui a revisão de registros e vínculos de filiais, análise de habilitações e treinamento de equipes”, detalha.


“Também estamos avaliando os reflexos da norma sobre os parceiros, para que a implementação ocorra de forma consistente, antes da entrada em vigor.”Uma das iniciativas em andamento é uma plataforma de contratação e gestão do seguro garantia, que conecta a Marsh, empresas e seguradoras em um único ambiente on-line. A solução permite realizar cotações, emitir e administrar apólices, endossos e renovações, além de acompanhar limites e exposições por meio de painéis de controle, explica. “Está conectada a 35 seguradoras, sendo 18 em tempo real.”


Leonardo Coelho, CEO para o Brasil na Aon, diz que há planos de acelerar a expansão no país. “Entre janeiro e agosto, abrimos quatro filiais estratégicas, em Goiânia, Londrina, Joinville e Recife”, enumera o gestor, adiantando que a capilaridade de unidades deve continuar em 2027. “Uma presença territorial ampla nos permite entregar insights para que as organizações locais tomem decisões mais assertivas sobre riscos e pessoas, impulsionando a proteção dos negócios.” O registro único nacional e a simplificação do vínculo das filiais à matriz, incluídos no novo arcabouço do CNSP, representam uma evolução na organização e atuação das corretoras em diferentes regiões, diz Coelho.


Para Marcos Couto, CEO e presidente da Alper Seguros, com 29 escritórios no país, apesar de 2026 se mostrar um ano desafiador do ponto de vista econômico e político, uma das estratégias em curso é utilizar operações de fusões e aquisições para tracionar os negócios.“Recentemente, anunciamos a 30a aquisição sob a minha gestão”, diz o executivo, à frente da companhia desde 2017. Só este ano, foram realizadas quatro compras de corretoras: TEV, Magicel, Montpolo e Ritacco. Somente a carteira de negócios da TEV, que atua no nicho de transportes e logística, adiciona mais de R$ 70 milhões em volume anual de prêmios à carteira, diz.“Temos potencial para novas aquisições até dezembro.”


Renato Gonçalves, vice-presidente de vendas, cobrança e experiência do cliente na Creditas, que comprou a Minuto Seguros em 2021, afirma que o mercado tem espaço para incrementar receitas principalmente fora dos grandes centros urbanos. “Para avançar, o setor precisa tornar os produtos mais simples e acessíveis, ampliar os canais de distribuição e aproximar o seguro da realidade das pessoas”, diz, acrescentando que isso passa por uma comunicação mais clara sobre coberturas e benefícios.


Fonte: Valor Ecônomico

 
 
 

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